Barramento de Expansão PCI Express (PCIe).
- Paulo Santos
- 29 de jul. de 2016
- 3 min de leitura
Atualizado: 26 de out. de 2025
O PCI Express (Peripheral Component Interconnect Express), frequentemente abreviado como PCIe, é o padrão de interconexão serial de alta velocidade que domina o mercado de PCs e servidores modernos, tendo substituído padrões mais antigos como o PCI, PCI-X e AGP.

1. Origem e Evolução
O PCIe foi introduzido em 2004 e desenvolvido pelo PCI-SIG (PCI Special Interest Group). Ele surgiu para atender à crescente demanda por maior largura de banda e melhor desempenho, que os barramentos paralelos legados (como o PCI) não conseguiam mais suprir com o aumento das frequências dos processadores e o advento de placas de vídeo mais potentes.
Evolução das Gerações
Uma característica fundamental do PCIe é que cada nova geração dobra a velocidade de transferência de dados da anterior e, geralmente, mantém a compatibilidade com as gerações passadas (embora a velocidade seja limitada pelo componente mais lento).
Geração | Ano de Lançamento (Aprox.) | GT/s (Gigatransfers/s) por Pista |
1.0 | 2004 | 2.5 |
2.0 | 2007 | 5.0 |
3.0 | 2010 | 8.0 |
4.0 | 2017 | 16.0 |
5.0 | 2019 | 32.0 |
6.0 | 2022 | 64.0 |
2. Definições e Características Técnicas
Topologia Ponto a Ponto (Point-to-Point)
A principal diferença arquitetônica em relação ao antigo barramento PCI (que era compartilhado) é que o PCIe utiliza uma topologia ponto a ponto. Cada dispositivo tem um link serial dedicado ao root complex (o chipset da placa-mãe, que se comunica com o processador).
Vantagem: Comunicação full-duplex (transmissão e recepção simultâneas) e largura de banda dedicada para cada dispositivo, eliminando a necessidade de arbitragem de barramento e a limitação de velocidade imposta pelo periférico mais lento no barramento compartilhado anterior.
Pistas (Lanes)
A unidade fundamental do PCIe é a pista (lane). Um link PCIe é composto por uma ou mais pistas.
Cada pista é um canal de comunicação dual simplex (composto por pares de sinais para transmissão e recepção).
Compatibilidade Física: Um dispositivo menor pode ser fisicamente instalado em um slot maior, em um slot menor, mas ele operará apenas com o número de pistas que possui.
Arquitetura em Camadas
O PCIe opera com uma arquitetura em camadas, semelhante ao modelo OSI:
1. Camada de Transação (Transaction Layer): Responsável pela configuração do dispositivo, pacotização dos dados (requisições de memória, E/S) e relatórios de erro.
2. Camada de Link de Dados (Data Link Layer): Garante a integridade dos dados através de mecanismos de controle de fluxo e confirmação (ACK/NAK).
3. Camada Física (Physical Layer): Inclui o bloco elétrico (componentes analógicos) e o bloco lógico (máquinas de estado para treinamento do link e padrões de dados seriais).
3. Funcionalidades Principais
Serialização: Transmite dados serialmente (um bit por vez por pista), o que permite frequências de clock muito mais altas e menos problemas de integridade de sinal em comparação com barramentos paralelos.
Controle de Fluxo: Implementa mecanismos de controle para garantir que os pacotes de dados cheguem corretamente ao destino.
Gerenciamento de Energia: Suporta estados de baixo consumo de energia para os dispositivos conectados.
Plug-and-Play (PnP): Suporte nativo para que o sistema operacional configure automaticamente os dispositivos conectados.
4. Empregos (Aplicações)
O PCIe é a espinha dorsal de conectividade de alta velocidade na maioria dos sistemas de computação modernos:
1. Placas de Vídeo (GPUs): Esta é a aplicação mais conhecida, utilizando slots de maior largura de banda disponível, crucial para renderização gráfica e processamento paralelo (IA/ML).
2. Armazenamento de Alta Velocidade (SSDs NVMe): Os SSDs modernos usam o protocolo NVMe (Non-Volatile Memory Express) sobre pistas PCIe, para atingir velocidades de leitura/escrita muito superiores às do SATA. O conector M.2 é, na verdade, uma interface física que utiliza pistas PCIe.
3. Placas de Rede: Para conectividade de alta velocidade, como Ethernet que exigem largura de banda que pode fornecer.
4. Placas de Expansão Diversas:
Placas de som profissionais.
Placas de captura de vídeo para streaming ou edição profissional.
Controladoras adicionais (SATA, SAS, USB de alta velocidade).
Placas de aceleração/Processamento (para machine learning ou computação científica).





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